Será que é você quem vai arrancar novamente um calafrio de ansiedade? Em meio a tantas cores pastéis, tons de salmon e texturas vazias vou sentir de novo o granulado laranja que fará disparar o pulso e e obrigar a levantar vôo as borboletas cor de cobre que moram no meu estômago? Elas andam pousadas, morgadas, até, tão entediadas quanto eu ao olhar em volta.
Não faço nem questão da insanidade que por vezes vem de brinde. Dispenso, no momento, a energia suicida, desvairada, que me carrega e até morro afogada qualquer dia desses. Nah, não faz falta, não agora. Reconheço a importância, talvez até certa função fisiológica, mas não aqui, não agora, não comigo. Tô de boa.
Já uma tirinha um pouco maior que essas de três quadrinhos, não dispenso. Mas e você? Tá pra mais... Tá pra menos...? Será que sua xícara tem o exato tamanho pra minha quantidade de açúcar? Quem sabe a gente está no mesmo Violinista Verde, com todos os ingredientes e as medidas exatas para uma larica inesquecível, uma larica compartilhada...
Só por diversão mais intensa; um riso um pouco mais sincero diante de uma piada um pouco menos sem graça. Nada de alianças de ouro. Afinal, pra que tantos anéis se só temos dez dedos e um punhado de anos nas mãos? Para bom mergulhador é possível explorar diversas profundidades sem precisar de ship nem relationship.
Faça-me o favor singelo de ler minhas palavras como quem lê a carta de um naufrago entediado e cheio de vontade de explorar os mares. Decifre meus olhares (futuros) como quem olha pela lente de uma câmera tentando ver a foto. Por fim, por obséquio e por mim, leia meu corpo como um cego lê Braile... Mas com mais vontade.
Como as notas de uma melodia que no início não fazem sentido, mas depois começam a soar familiares.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
segunda-feira, 8 de junho de 2015
Inaura
Esperei muitas coisas de você nas últimas semanas...
Imaturidade, confusão, um beijo, falta de vontade, uma resposta que nunca veio, um copo d'água... Só não esperava falta de respeito.
Tá certo que eu não deveria ter esperado nada disso, já que você nem nada me deve. Mas acho que você sabe que, às vezes, não é questão de escolha.
Acho (achei), também, que você sabe (sabia) o quão angustiante é ser uma sala de espera. Fria. Vazia. Agoniada. E de todas as coisas que esperei sem ter direito, a única que eu tinha - já que é direito e necessidade inerente a quase todo ser humano - logo essa é que mais faltou.
Isso aqui... Não é uma bronca (deus me livre!). Não é tampouco um pedido, um desejo, nem uma espera (não mais). Só precisava, uma vez mais, dizer (escrever) o que eu sinto. É mais por mim mesma, pelo meu sossego, do que por qualquer outra coisa.
Na verdade isso pode acabar sendo um agradecimento. O vazio e o frio, dignos de um consultório de dentista, me lembraram o quão perigosamente infinitos podem se tornar uns poucos 9 dias; o quão desgastante, inútil e perigosamente eterno pode ser esperar por quem não faz questão de você.
Te saúdo,
Evoé!
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Que Nem o Gato
Era a festa da carne e havia um banquete ao seu redor. Saboreava o calor, o suor, o sal grudado na pele e a textura das roupas rasgadas dos outros bacantes. Eram milhares de corpos em transe rítmico, como um culto sagrado de 1984. Você entende perfeitamente o motivo, a vontade, o nome. Era a festa da carne.
Em algum lugar haviam olhos. Atrás de você, na frente, em todos os lugares haviam vários tipos. Há um par que te perambula na consciência, oras aqui, oras lá, mas sempre (ou quase) ao alcance da vista. Ou sua ou dele. Tão novos, tão jovens, como que recém comprados. Eles te encaram, sem desviar randomicamente como os outros. Ele parece sorrir sem dentes e você foge... Não bem por um motivo, mas talvez sim.
Nem você, talvez, diria. Uma certa inveja. Parecia que aquele mundo que tanto te confundia e devorava era terra de posse dele - a figura que dela se erguia - como que alheio, mas soberano de sí e das tremulâncias que eram tudo o que mais se via.
Como se uma câmera de shutter lento, meio que bêbado, cortasse a gelatina do tempo e retirasse aquele momento como uma fatia de queijo. Todo o entorno estaria turvo, derretido, mas não ele e seus ombros e cabeça, despontando do rio de carne como o periscópio de um submarino. É dono do rio e dono dos olhos.
Neles, os círculos de confusão de foco têm raio tão ínfimo (e trovão delicado, quase inaudível) que a luz que ali se esbarra e reflete pra você forma uma imagem nítida, mas tão nítida que não se vê só teu rosto (desfigurado pelos êxtases contínuos), mas todo um oceano de coisas. São como espelhos que só mostram o que está dentro, e a imagem que produzem, por sua vez, é tão nítida, que nela é possível mergulhar.
Lá dentro, na lógica de uma boneca russa, tem um lago negro, numa clareira, e as águas são tão calmas que parecem ser melaço quente, soltando vapores entorpecentes, tornando indistinguíveis as árvores ao redor da clareira. E esse é também reino dele. E é como se, na verdade, real fosse aquilo, e a alucinação profana e as carnes e o festival de bestialidades no qual estão você e os outros bacantes fosse como um filme que o diverte, mas não lhe toma o controle.
Você não para de olhar porque não consegue, não confia, não acredita em quem não se desespera. Só confia em quem sente frio; lição bem aprendida, ensinada por outros verões. Mesmo assim, apesar disso, uma certa inveja. Nem você diria. Talvez sim, talvez muito mais.
Em algum lugar haviam olhos. Atrás de você, na frente, em todos os lugares haviam vários tipos. Há um par que te perambula na consciência, oras aqui, oras lá, mas sempre (ou quase) ao alcance da vista. Ou sua ou dele. Tão novos, tão jovens, como que recém comprados. Eles te encaram, sem desviar randomicamente como os outros. Ele parece sorrir sem dentes e você foge... Não bem por um motivo, mas talvez sim.
Nem você, talvez, diria. Uma certa inveja. Parecia que aquele mundo que tanto te confundia e devorava era terra de posse dele - a figura que dela se erguia - como que alheio, mas soberano de sí e das tremulâncias que eram tudo o que mais se via.
Como se uma câmera de shutter lento, meio que bêbado, cortasse a gelatina do tempo e retirasse aquele momento como uma fatia de queijo. Todo o entorno estaria turvo, derretido, mas não ele e seus ombros e cabeça, despontando do rio de carne como o periscópio de um submarino. É dono do rio e dono dos olhos.
Neles, os círculos de confusão de foco têm raio tão ínfimo (e trovão delicado, quase inaudível) que a luz que ali se esbarra e reflete pra você forma uma imagem nítida, mas tão nítida que não se vê só teu rosto (desfigurado pelos êxtases contínuos), mas todo um oceano de coisas. São como espelhos que só mostram o que está dentro, e a imagem que produzem, por sua vez, é tão nítida, que nela é possível mergulhar.
Lá dentro, na lógica de uma boneca russa, tem um lago negro, numa clareira, e as águas são tão calmas que parecem ser melaço quente, soltando vapores entorpecentes, tornando indistinguíveis as árvores ao redor da clareira. E esse é também reino dele. E é como se, na verdade, real fosse aquilo, e a alucinação profana e as carnes e o festival de bestialidades no qual estão você e os outros bacantes fosse como um filme que o diverte, mas não lhe toma o controle.
Você não para de olhar porque não consegue, não confia, não acredita em quem não se desespera. Só confia em quem sente frio; lição bem aprendida, ensinada por outros verões. Mesmo assim, apesar disso, uma certa inveja. Nem você diria. Talvez sim, talvez muito mais.
domingo, 26 de abril de 2015
Suavemente Esperando Godot
Silenciosas passeiam as nuvens
acariciando o veludo do céu.
Seus tão vagarosos e fluidos vapores
embaçam a luz das fogueiras dos anjos.
Se o vento as carrega, em total majestade
e sopra pra longe real carruagem,
de seda só resta o ar que comprime
meu corpo e e me mostra o vazio ao redor.
Tão vasto e terrível é o abismo de cima,
que a vida segue em declive suave.
Se cada gotinha fosse uma oração,
eram quatro pai nossos, seis vezes ao dia,
tentando escutar uma voz que responda,
ou acreditando que talvez funcione
rezar para o deus dessas preces de gosto
floral ou metálico. Não sei ao certo
se sei se é placebo ou se só tenho medo
de pensar pai nosso e ser ave maria,
mas a vida segue em declive suave.
Contando meu tempo em números flácidos
aguardo o final como aguardo o jantar
Não sei se mais temo comida queimada
ou sabor que jamais vou querer escovar
dos meus dentes com pasta de menta enlatada
e pré fabricada pra belos sorrisos,
que querendo ou não duram mais do que a carne
pois a vida segue em declive suave.
Há, inclusive, um engarrafamento
de almas pernetas, perdidas em si.
E suspiram de alívio a cada semáforo
rubro que para o mundo ao redor.
Já quase não fingem que estão animadas,
já quase não fingem sequer se importar.
E a vida segue em declive suave.
Peço que as vezes me mandes histórias
que cruzem os mares em forma de ondas
imensas e tão gentilmente embaladas
que embalem meu sono apesar da distância
Talvez não tão doce, nem tão devagar,
pois a vida segue em declive suave.
Os líquidos brilham em copos redondos
de um vidro tão claro que até deixa ver
quando a luz lhes disseca das bolhas e risos
e cega-me os olhos aterrorizados,
mas seguem dançando sem nem se importar
Então a vida segue em declive suave
Aquilo que queima no lago de fogo
são antes as chamas dos olhos de deus.
Na bíblia cristã, no costume judeu
Mas antes de tudo, o inferno sou eu
E a vida segue em declive suave
O dia sorri gargalhando de luz
e escorre entre as frestas das venezianas
escuras, maciças, pesadas de sono.
E a vida segue em declive suave.
Na minha cabeça seu deus quase existe.
Cantando e dançando, os punhos em riste.
E a vida segue em declive suave.
Brilha o ar e o calor, brilha a espuma dos olhos.
Nenhuma astronave vem pra me salvar.
Então segue a vida em declive suave.
Quem sabe algum dia alguém vem me encontrar.
Mas a vida segue em declive suave.
Bem como entropia
Ou chuva de neve
Caindo de leve
Enquanto eu sigo em declive suave.
acariciando o veludo do céu.
Seus tão vagarosos e fluidos vapores
embaçam a luz das fogueiras dos anjos.
Se o vento as carrega, em total majestade
e sopra pra longe real carruagem,
de seda só resta o ar que comprime
meu corpo e e me mostra o vazio ao redor.
Tão vasto e terrível é o abismo de cima,
que a vida segue em declive suave.
Se cada gotinha fosse uma oração,
eram quatro pai nossos, seis vezes ao dia,
tentando escutar uma voz que responda,
ou acreditando que talvez funcione
rezar para o deus dessas preces de gosto
floral ou metálico. Não sei ao certo
se sei se é placebo ou se só tenho medo
de pensar pai nosso e ser ave maria,
mas a vida segue em declive suave.
Contando meu tempo em números flácidos
aguardo o final como aguardo o jantar
Não sei se mais temo comida queimada
ou sabor que jamais vou querer escovar
dos meus dentes com pasta de menta enlatada
e pré fabricada pra belos sorrisos,
que querendo ou não duram mais do que a carne
pois a vida segue em declive suave.
Há, inclusive, um engarrafamento
de almas pernetas, perdidas em si.
E suspiram de alívio a cada semáforo
rubro que para o mundo ao redor.
Já quase não fingem que estão animadas,
já quase não fingem sequer se importar.
E a vida segue em declive suave.
Peço que as vezes me mandes histórias
que cruzem os mares em forma de ondas
imensas e tão gentilmente embaladas
que embalem meu sono apesar da distância
Talvez não tão doce, nem tão devagar,
pois a vida segue em declive suave.
Os líquidos brilham em copos redondos
de um vidro tão claro que até deixa ver
quando a luz lhes disseca das bolhas e risos
e cega-me os olhos aterrorizados,
mas seguem dançando sem nem se importar
Então a vida segue em declive suave
Aquilo que queima no lago de fogo
são antes as chamas dos olhos de deus.
Na bíblia cristã, no costume judeu
Mas antes de tudo, o inferno sou eu
E a vida segue em declive suave
O dia sorri gargalhando de luz
e escorre entre as frestas das venezianas
escuras, maciças, pesadas de sono.
E a vida segue em declive suave.
Na minha cabeça seu deus quase existe.
Cantando e dançando, os punhos em riste.
E a vida segue em declive suave.
Brilha o ar e o calor, brilha a espuma dos olhos.
Nenhuma astronave vem pra me salvar.
Então segue a vida em declive suave.
Quem sabe algum dia alguém vem me encontrar.
Mas a vida segue em declive suave.
Bem como entropia
Ou chuva de neve
Caindo de leve
Enquanto eu sigo em declive suave.
sábado, 21 de fevereiro de 2015
Canções pra ninar Eu
Vai embora e me deixa a pia cheia de louça e o peito vazio. Na boca, um sorriso cansado, na casa, um cheiro de pipoca. Aquela de queijo, sabor microondas, que chega agora deu vontade. E eu que sempre amei a solidão tenho agora ansiedade. É urgência de ver, falar, acontecer, participar, conversar, ser. Viver lá fora.
Mas, mesmo assim, vai embora.
Deixa na boca o sabor do café preto não tomado, das palavras não ditas. No pulmão, espaço para os becks ainda por vir, na mente, as conversas que já aconteceram só de antecipação, de sonho, de ansiedade. Ansiedade ou fome? Desejo de antropofagias de todos os tipos! Comer ideias, pessoas, músicas, lábios, dentes... Dilacerar a carne e sugar o sangue e o sumo da alma.
Mas hay que respirar e hay que dormir. Por mais que as luzes me façam cócegas no espírito, sempre amei a solidão por um motivo bem humano, até: preciso dela. Fisicamete, mentalmente. É entre quatro paredes que se desacelera o pulso e é enfim possível escutar outros sons, outros rítmos invisíveis.
É também como uma recarga: o sono cheio de sonhos fantásticos, convincentes, que me permitem acreditar mais em mim e menos na realidade que me afunda e se afunda no meu peito com todo o peso do tempo, dos anos, da histeria e do desamparo. É preciso dormir para calar a voz que me diz em tempo integral todas as coisas ruins a meu respeito. Aquelas que sei, mas nas quais tento não acreditar.
Disseram-me que há uma chance, se recuperar isso a que chamam de confiança, auto-estima. Uma chance real de encontrar um caminho e até algumas luzes coloridas e "flair". Precisa-se dormir para calar a voz que diz as verdades, boas e ruins, para escutar a gargalhada e os sussurros de horror da voz que diz loucuras e conta estrelas enquanto atira fogos de artifício contra as pessoas e as assiste explodir. Ai, preciso tanto, preciso dormir.
Então, por fim, vai você também embora! Você que está ai na frente, traduzindo em palavras meus pensamentos. Você que eu chamo de "eu", de nós e que é os três pronomes, a depender do momento. Desliga-te um pouco e deixa-me com os outros "eu"s, aqueles que espreitam no ressonar da minha adormecida boca, e com os os outros também, os desconhecidos. Deixa-me com as faces anônimas que reconheci na rua e que estão gravados nas fotos guardadas nos porta-retratos dos sótãos da minha mente.
Enquanto caminha pelos corredores de mim, em busca dos seus secretos aposentos de descanso, canta canções de ninar ao meu coração, para que ele se acalme. Massageia meus músculos rijos com promessas de que haverá algum amanhã; uma alvorada melhor que a última e mais cheia de cores e promessas. Fala-me de um sol mais quente, que me encha de coragem e doure minha pele.
Mas, quando chegar ao fim do corredor, apague as luzes para que eu possa enxergar os fogos de artifício e as estrelas e escutar canção do tempo.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Antes e Depois do Casamento Chinês
Porra. Queria saber como começar isso aqui. Porra. Na verdade mesmo eu queria saber falar isso com a boca, frente a frente... Mas pessoalmente só consigo falar com os olhos e eles andam muito sinceros, confusos demais para conseguir comunicar de fora clara. Perdidos no emaranhado de verdade dissonantes que mora em mim. Porra. Na verdade eu não sei qual das duas opções é mais patética. Deixa pra lá, eu preciso levar as coisas menos a sério se quiser ser mais feliz.
O ponto é que eu gosto de você. Gosto do jeito que você preferir entender, pouco me importa: são todos verdadeiros. Gosto desde que te vi pela primeira vez. Porra. Não queria que isso soasse tão dramático na cena que imaginei pra nós dois. Tem toda essa coisa de final de festa que deixa as coisas um pouco mais chorosas. Resumindo: queria ter feito isso antes, mas sou idiota, otária mesmo. Foda-se.
Minha memória não é tão boa, mas eu lembro de muita coisa. Se a sua for tão boa quanto diz ser, vai se lembrar também.
O ponto é que eu gosto de você. Gosto do jeito que você preferir entender, pouco me importa: são todos verdadeiros. Gosto desde que te vi pela primeira vez. Porra. Não queria que isso soasse tão dramático na cena que imaginei pra nós dois. Tem toda essa coisa de final de festa que deixa as coisas um pouco mais chorosas. Resumindo: queria ter feito isso antes, mas sou idiota, otária mesmo. Foda-se.
Minha memória não é tão boa, mas eu lembro de muita coisa. Se a sua for tão boa quanto diz ser, vai se lembrar também.
(...)
Mas talvez o problema não seja memória. E não foi. Assim como o problema não são os substantivos desse texto, mas seu tempo. Sempre errado e desajustado.
Comecei no futuro, terminei no passado.
Em sã consciência
Você me conhece? Vejo em seus olhos o brilho de quem parece me conhecer... Mas será só um reflexo da minha própria luz? Mais plausível, mais um eco do Narciso insano buscando a si mesmo. Tenho estado um tanto quanto desesperada por reconhecer algo de mim em outr@. Não meu reflexo, mas uma alma que se junte ao som da minha, indicando alguma consonância, aliviando a solidão.
Queria não ter experimentado uma identificação tão forte... Torna o apego uma parte muito maior de mim, muito mais difícil de combater. Será que dá pra ele ter ido embora para sempre do pequeno quarto que construímos, sem olhar pra trás? Apenas mais um abandono? Só posso crer que a consonância nunca existiu: imaginei-a, como sempre. De outro modo, quem, em sã consciência, jogaria fora uma coisa tão preciosa? O que é mesmo ser são? E se, na verdade, fui eu quem jogou tudo fora pela janela?
Não. Preciso parar de me culpar por todos os desconfortos do mundo, de me achar tão importante. Assim como preciso deixar de lado o veneno da auto crítica, constante e corrosivo. Nõ necessariamente por ser uma mentira, na verdade não sei. É mais porque, se eu for mesmo essa merda toda que penso ser, mais vale ser uma eterna lunática, vista com pena por todos, mas leve no coração.
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