domingo, 18 de dezembro de 2011

O Conto da Fada I



Eis que era um conto de fadas e a mocinha já estava apaixonada pelo príncipe. Depois de armar zilhões de encontros escondidos a fada-madrinha agora costurava o vestido do baile do dia seguinte com suas agulhas encantadas. A futura princesa deveria usar uma fantasia e, se o mocinho a beijasse mesmo sem reconhecê-la, (sabe-se lá por quê)essa seria a verdadeira prova de amor e blá blá blá.
Um vestido de espuma do mar com orvalho da alvorada deixaria a menina totalmente irresistível. A fada-madrinha suspirou, sua mente nunca estivera tão confusa em toda a longa vida. “Será mesmo possível?” Terminou o vestido, combinando com um par de sapatos prateados. Estendeu-o na escrivaninha e pôs-se na janela, queixo apoiado nas mãos.
* Suspiro *
Pois sim. A fada madrinha suspirava e pensava no príncipe. Mas não no que poderia fazer para juntá-lo com Marina, a fada pensava no príncipe de maneira totalmente inapropriada. Não é como as coisas deviam acontecer, não era para seu coração bater daquela forma, pelos deuses! Não por um humano, não pelo príncipe da SUA menininha. A fada-madrinha sentou no chão encostada na parede, finalmente entendendo a necessidade de uma garrafa de wisky.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Alexander W. E Sua Xícara de Açúcar


Nunca gostei de lobos. Quando dormia na casa da minha avó eu sempre escutava seus roncos e podia jurar que eram uivos, uivos medonhos. Eu sabia que uma porta entreaberta era o suficiente e meu lençol, fino demais.
Lembro da época de “Pedro e o Lobo” e de como eu mal conseguia assistir o filme, mesmo com outras pessoas. Meus pesadelos em primeira pessoa... AQUELE pesadelo. Um sonho lupino que, mesmo depois de crescida, me impediu de colocar os pés no chão.
Cheguei a ganhar um livro. “A Verdadeira História dos Três Porquinhos” era o título, e narrava o conto do ponto de vista de A.Wolf, um lobo. É realmente uma boa história, eu gostava desse lobo inocente e civilizado que desejava apenas fazer um bolo para a avó. Eu QUERIA acreditar nesse lobo.
Mas uma coisa que você aprende sobre os lobos é que eles não são inocentes. Acho que talvez seja por isso que u nunca confiei em cachorros... Sempre acabo voltando ao meu sonho e á cena de um filme que mostra uma floresta escura e apenas dois pontos luminosos, duas faíscas amarelas, cheias de malícia.
O que me assusta nos lobos não são seus dentes afiados, mas a maneira como sabem escondê-los. Não suas garras, mas sua fala macia e jeito de amigo próximo. Eles sempre estarão lá para mostrar o caminho da casa da vovó, mas não sem antes te espionar por entre as árvores e pensar: “Que garotinha deliciosa... E que belo capuz!”
Não, não, não. Não gosto de lobos. Eles estão sempre famintos, sempre gentis com suas lamparinas âmbar. Estão em toda parte e á medida que cresço vou me dando conta de que eles não vão embora quando fechamos os olhos. Oh, meu bem! Esse é o momento que eles estavam esperando.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Monocromo


Odeio essa sensação de que meu dia se perde em significado quando não posso encontrá-lo. Odeio essa distância de você, irmã, a falta de te ver, a saudade. Porque essas letrinhas numa tela não me dizem nada, não me fazem te enxergar nem saber como está.
É uma solidão, um desânimo... Viver é um despropósito e bem sei como é ai que as coisas começam a ficar perigosas. Sonambulando pela casa e pela cidade, monocromando ao sol. Sentindo minhas Células adoecerem aos poucos e meus olhos arderem de cansaço.
Não quero amanhã, não se ele for como manda o script. Não quero mais um dia desfigurado, ainda pior que hoje. Quero mais domingos, mais companhias e objetivos, mas Solmingos. Mesmo com chuva, mesmo com raios, pra mim está tudo bem, desde que eu possa te encontrar, abraçar e entender o que você está sentindo. Esquecer um pouco dele, tirar da cabeça.
Descobri que a liberdade pode ser apenas uma prisão irônica se você é o único a desfrutá-la. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

No Sugar, Thanks


Queimei a ponta da língua e já não posso sentir nada doce. Tudo o que me vem á boca fica amargo, salgado ou azedo. Não reclamo, até gosto; pode ser muito bom dar uma pausa das coisas melosas.
Alem do mais, já estou acostumada. Poderia dizer que a terapia desadocicada faz bem:
O salgado é simples.
O azedo quebra o enjôo.
O amargo puxa pra realidade.

Só tenho a ganhar com três sabores tão rejeitados. Vou descansar minhas maltratadas papilas gustativas e ver se ponho um pouco de juízo na cabeça. Não há com o que se preocupar: logo-logo minha língua vai ficar bem e eu estarei novamente pronta para ser iludida por tudo o que é doce.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Esclarecimentos

Em alemão, a palavra para "paixão" é

LEIDENSCHAFT

Ela pode ser dividida em, basicamente, duas partes:

LEIDEN e SCHAFT

"SCHAFT" é um sufixo que caracteriza substantivos femininos no geral, e

LEIDEN

É uma outra palavra, que significa

SOFRER





Será que isso faz algum sentido?

Por trás daquele "Bom Dia"

   Queria ter mais coragem. Poder dizer o que está aqui preso até agora, pulsando em algum lugar entre meu peito e minha língua. Se as pernas não tremessem, eu não ficasse enjoada, se não me sentisse tão ridícula a atenta à minha insignificância...
   Queria poder dormir, mas eu fecho os olhos e pensamentos sonâmbulos persistem e insistem, me cutucando com aspereza. Quero dormir tanto quanto quero falar, contar de uma vez por todas. Mas, por mais que esteja cansada, de tudo, simplesmente exausta, eles não vêm;  nem meu sono, nem minha coragem.
   Que se pode fazer com pálpebras que pesam, mas não fecham e frases que sufocam mas são soam? Estou entalada e enlatada na minha conserva de azeite, atum e impotência, quase enlouquecendo.

domingo, 13 de novembro de 2011

But I Do

When you said goodbye
And left me with my junk
I thought I'd nearly die
But I just got really drunk


Now that I've seen you there
With that dress
I know I shouldn't care
But I do... I do...


So just take it, take it, take it, take it out
I can't think of, think of, think of, think about
I gotta get you, get you, get you, get you off
My head


When you said hello
And talked to me that night
I thought I'd nearly die
My throat became too tight


Now that I've seen you there
With that smile
I know I shouldn't care
But I do... I do...



So just take it, take it, take it, take it out
I can't think of, think of, think of, think about
I gotta get you, get you, get you, get you off
My head