Tem a ver com a distância curta
Entre nossas casas
Tem a ver o jeito com que
Você bate suas asas
Pode ser que meus poemas
Sejam só muito simplórios
Pode ser o parentesco falso
Entre nossos olhos
Mas tem que ver o jeito com que
Minha alma se derrete
Tem que ver com atenção
Com quem é que você se mete
Pode ser que meus problemas
Sejam só de projeção
Pode ser código morse:
Pisca sim, pisca que não
Di-zen-do
Não se ponha
Tão acima
Do seu próprio
Corpo
Não se feche
Tão lacrado
Pra pagar de
Louco
Su-pe-ri-or
Como as notas de uma melodia que no início não fazem sentido, mas depois começam a soar familiares.
sexta-feira, 19 de agosto de 2016
domingo, 7 de agosto de 2016
Escutando: Adiós Nonino - Piazzolla
Afoga a mágoa, rude
Pousa nos narizes cansados
De um longo dia
Amolecido pelas horas
Roupa suja, coisa privada
Vertiginosa brincadeira
Debochosa e intermitente
Da máquina de lavar
Que revolve, que torce
Faz, forte, baila com água
Milonga improvisada
Que dissolve-se em espuma
Perfumada
E voa pela casa, pelo quintal
Em lençóis brancos
Em vestidos limpos, cheirosos
Revoluciona, sobe curva
Glissando
Paira lentamente, suspira
Nos reflexos nas partículas do ar
Resplandescente
De sabões vaporizados
Pousa nos narizes cansados
De um longo dia
Amolecido pelas horas
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
Escutando: I Ching (céu e terra) - Uakti
Alma latejante e lenta
Pesada, lascera
Discute, geme
Evolve em 3/4
Ironiza ao existir
A fútil previsibilidade
Da rotina em 6/8
Alegretta
Se arrasta
Se ofende
Se cala
Pausa
Deixa que fluam inúteis ciclos
E encara, estarrecida, arregalada
Quase morrida de morte amargurada
Mas
Rebrota criativa
Regada e soprada pelo espírito
Livre
Costurando miçangas aleatórias
No tedioso tecido dos dias
Pesada, lascera
Discute, geme
Evolve em 3/4
Ironiza ao existir
A fútil previsibilidade
Da rotina em 6/8
Alegretta
Se arrasta
Se ofende
Se cala
Pausa
Deixa que fluam inúteis ciclos
E encara, estarrecida, arregalada
Quase morrida de morte amargurada
Mas
Rebrota criativa
Regada e soprada pelo espírito
Livre
Costurando miçangas aleatórias
No tedioso tecido dos dias
Nas Ondas do Tempo
Nas ondas do mar
A maravilhosa sereia sobressalta
Na noite alta
Como arranha-céu
Que parece subir no firmamento
Enquanto a lua
Chorou seca, espalhando mágoas
No salitre do vento
E o mar na maré cheia
Marca o vazio do tempo
Lá, entre sombras luminosas
A sereia pousa, escura, nas pedras
Como corvo nos telhados
Como dor nas vozes quietas
Como o meu vazio em mim
Pertence
A sereia agonizando
Nas ondas do tempo
Os barcos, outros, passando
Acenando de volta, a gargalhadas
Sem pensar adiante
Ou em águas passadas
E eu? Cada vez mais fundo
Não adianta de nada
E morrendo afogada
Não se ouve seu lamento
Sereia agonizando
Nas ondas do tempo
A maravilhosa sereia sobressalta
Na noite alta
Como arranha-céu
Que parece subir no firmamento
Enquanto a lua
Chorou seca, espalhando mágoas
No salitre do vento
E o mar na maré cheia
Marca o vazio do tempo
Lá, entre sombras luminosas
A sereia pousa, escura, nas pedras
Como corvo nos telhados
Como dor nas vozes quietas
Como o meu vazio em mim
Pertence
A sereia agonizando
Nas ondas do tempo
Os barcos, outros, passando
Acenando de volta, a gargalhadas
Sem pensar adiante
Ou em águas passadas
E eu? Cada vez mais fundo
Não adianta de nada
E morrendo afogada
Não se ouve seu lamento
Sereia agonizando
Nas ondas do tempo
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
A Margôt
Você me deu espinhas, mulher
Muito mais que um chocolate qualquer
Muito mais que um chocolate qualquer
Tua línga na minha boca ficou
salgada
De tanta lágrima rolada no meu rosto
Eu crocodila e você dissimulada
O pior foi mesmo o gosto
De tanta lágrima rolada no meu rosto
Eu crocodila e você dissimulada
O pior foi mesmo o gosto
Você me deu ressaca, menina
Dessas que não cura nem com
aspirina
O teu beijo na metade amargou
De tanto gastar saliva
explicando
De não sei quem, não sei
aonde, não sei quando
O pior foi o sabor
Olha pra mim
Pede pra falar das minhas coisas
Mas as suas você fica
Enterrando no jardim
Me olha assim
Pede pra falar das minhas coisas
Mas as suas você fica
Enterrando no jardim
Me olha assim
Acha que é preciso passarinhos
Pra enxergar teu verde-claro
Escondido no carmim
Pra enxergar teu verde-claro
Escondido no carmim
Teu nome me arrepia
Mais que lua clara
Mais que lua clara
Estrela em noite escura feito breu
Foi de mestre essa
Jogada tua, claro
Mas pior do que você, de ruim, só eu
Foi de mestre essa
Jogada tua, claro
Mas pior do que você, de ruim, só eu
sábado, 25 de junho de 2016
Oração a Santa Antônia
Sob o céu, à vista das deusas e deuses, quero ter a cabeça entre tuas pernas e que o som mais forte desse mundo seja o da tua respiração ofegante. A sensação de grama entre os dedos apenas completando, em algum plano neural, o roçar dos seus pelos beijados pelo fogo.
E que haja calor, mas que o esquentar do sol seja um registro morno e distante perto da irradiação da tua pele de estrela incandescente. E ainda assim, seda mais suave não existe.
Sob o céu, à vista dos deuses e das deusas, quero tua carne tremendo ao ritmo das minhas papilas. Tua voz, do fundo de pulmões em contração, saindo a implorar que eu, por nada nesse mundo, ouse parar de dançar. E assim giraríamos em círculos no universo, ao som da nossa valsa irregular, cuja métrica se esconde em tuas sinapses.
Eu as recebo como andas de rádio, pelos olhos fechados, pela mão agarrando tua perna, pelos l[abios beijando os teus, molhados.
Depois de escutar teu grito ecoar pelo vácuo do universo infinitas vezes, acostar a cabeça em teu plexo, beijar teu umbigo, sentir tudo zumbindo ao nosso redor. Só então descansar, deixando a exaustão tomar nossas fibras e afrouxar até as tensões atômicas, permitindo que nossas moléculas se derretam umas nas outras.
E que Morfeu nos olhe com ternura e que suas lágrimas caiam sobre nossos olhos como areia, apagando tudo, gradiente. Sob o céu, à vista das deusas e dos deuses, resson(h)amos tranquilidade.
E que haja calor, mas que o esquentar do sol seja um registro morno e distante perto da irradiação da tua pele de estrela incandescente. E ainda assim, seda mais suave não existe.
Sob o céu, à vista dos deuses e das deusas, quero tua carne tremendo ao ritmo das minhas papilas. Tua voz, do fundo de pulmões em contração, saindo a implorar que eu, por nada nesse mundo, ouse parar de dançar. E assim giraríamos em círculos no universo, ao som da nossa valsa irregular, cuja métrica se esconde em tuas sinapses.
Eu as recebo como andas de rádio, pelos olhos fechados, pela mão agarrando tua perna, pelos l[abios beijando os teus, molhados.
Depois de escutar teu grito ecoar pelo vácuo do universo infinitas vezes, acostar a cabeça em teu plexo, beijar teu umbigo, sentir tudo zumbindo ao nosso redor. Só então descansar, deixando a exaustão tomar nossas fibras e afrouxar até as tensões atômicas, permitindo que nossas moléculas se derretam umas nas outras.
E que Morfeu nos olhe com ternura e que suas lágrimas caiam sobre nossos olhos como areia, apagando tudo, gradiente. Sob o céu, à vista das deusas e dos deuses, resson(h)amos tranquilidade.
quarta-feira, 22 de junho de 2016
Tandoori Massala
Inspiro Massala
tentando entender
Se é medo
De não poder sentir
Ou de ter saturado
Na real nunca largado
Até tenho
Junto com a minha
A chave da frente
Da sua casa
E a sua mãe
Também gosta de mim
Um dia vi um poema
Sobre a infinitude
De cada segundo
Mas era tão pegajoso
Que eu só queria
Que terminasse
Não é qualquer
Tarde de outono
Que pode conter
Todos os sons
Que imagino deitada
Nas noites silêncio
Escutei vindo
Seus passos detrás
E senti na nuca
Quando se deteve
E olhou através
De olhos fechados
Gosto de sentar
De frente pro fundo
E sentir metonímias
Do jeito da vida
E de como me leva
Sem dizer o caminho
Como não disse
E nunca direi
Posso até mentir
Mas mistério sempre
Há de andar por aí
Música sem nome
Às vezes acho
Que já não há
Mais nada sagrado
Exceto talvez
O brilho oblíquo
De um olhar distante
Desconhecido

Ou Tandoori
Massala colorado
Que estampa a ponta
Do nariz queimado
Do frio lá fora
Da minha cabeça
Desconhecido
Distante como esse
Céu azul-argento
Que falta semana
Pra descascar
Igual calendário
E nasce julho
Desconhecido
Me salva como
Astronauta caída
Que com carne rosada
E mirada de raposa
Sussurra pra mim
Que não pirei, ainda
Ainda não pirei
tentando entender
Se é medo
De não poder sentir
Ou de ter saturado
Na real nunca largado
Até tenho
Junto com a minha
A chave da frente
Da sua casa
E a sua mãe
Também gosta de mim
Um dia vi um poema
Sobre a infinitude
De cada segundo
Mas era tão pegajoso
Que eu só queria
Que terminasse
Não é qualquer
Tarde de outono
Que pode conter
Todos os sons
Que imagino deitada
Nas noites silêncio
Escutei vindo
Seus passos detrás
E senti na nuca
Quando se deteve
E olhou através
De olhos fechados
Gosto de sentar
De frente pro fundo
E sentir metonímias
Do jeito da vida
E de como me leva
Sem dizer o caminho
Como não disse
E nunca direi
Posso até mentir
Mas mistério sempre
Há de andar por aí
Música sem nome
Às vezes acho
Que já não há
Mais nada sagrado
Exceto talvez
O brilho oblíquo
De um olhar distante
Desconhecido

Ou Tandoori
Massala colorado
Que estampa a ponta
Do nariz queimado
Do frio lá fora
Da minha cabeça
Desconhecido
Distante como esse
Céu azul-argento
Que falta semana
Pra descascar
Igual calendário
E nasce julho
Desconhecido
Me salva como
Astronauta caída
Que com carne rosada
E mirada de raposa
Sussurra pra mim
Que não pirei, ainda
Ainda não pirei
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