Naqueles dias em que se acorda virado
Você levanta pelo lado errado
Tem coisa estranha no ar
E ninguém te olha bem na cara
Tem mais sussurros do que algazarra
Tem coisa podre no ar
Você sobe correndo a escada
Passa pela porta de entrada
E vem o sentimento de que a festa para
Pra te olhar
E as pessoas certas vão se escondendo
Judas morreu e eu não fiquei sabendo
As línguas venenosas vão se contorcer
É, a-ha-ha-ha
Dê meia volta
A-ha-ha-ha
Dê meia volta volver
E aquele copo que se tinha virado
Não tem nada a ver com o estômago embrulhado
Você começa a se tocar
E as comadres que cumprimentaram
Se algo sabiam, nunca te contaram
Você começa a se tocar
E você cruza a sala lotada
Escuta uma conversa abafada
E vem o sentimento de que o mundo para
Pra te olhar
E as pessoas certas vão se escondendo
Judas morreu e eu não fiquei sabendo
As línguas venenosas vão se contorcer
É, a-ha-ha-ha
Dê meia volta
A-ha-ha-ha
Dê meia volta volver
Como as notas de uma melodia que no início não fazem sentido, mas depois começam a soar familiares.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
HQs
Dei por mim lendo os meus velhos gibis da infância e babando pelo novo box de Calvin e Haroldo que vi na livraria. É que de repente olhei no espelho e percebi que não conheço bem a pessoa que tenho sido nos últimos tempos. Não sei se é porque não tenho sido eu ou se porque não me conheço, no fim das contas.
Você já sentiu que o corpo no qual está confinado subitamente lhe parece estranho, inapropriado? Você já bateu a porta atrás de sí e percebeu que o lugar onde se sente mais livre é um quarto trancado?
Dei por mim desejando ser criança, nem que só por alguns segundos, pra ter certeza de quem realmente sou. Lembrar da sensação de segurança quando eu pus uma chave na fechadura e girei pela primeira vez, como se também fechasse os problemas lá fora. Me peguei desejando que meu choro fosse por não querer a salada do prato ou por ter ralado o joelho enquanto descia a ladeira correndo. Houve um tempo em que você também acreditou que bater a canela na quina de um degrau era a pior dor do mundo? Isso foi antes de eu descobrir que em certos momentos a única coisa que promete resolver tudo é o sono. Sabe, eu queria tanto dormir...
Mas não posso. Hoje a noite olhou pra mim através das persianas e decidiu que seria ela mesma uma criança. Decidiu me condenar a observar por horas e horas enquanto brinca com as sombras da parede e zomba da minha incapacidade de sorrir quando convém ao mundo.
Só respire. Respire até perder a conta, como quando não sabe mais quantos copos já virou. "Prontos ou não, lá vou eu". Tudo o que eu queria era dormir, sabendo que seja lá o que eu fiz de errado vai ser esquecido durante a madrugada e não haverão multidões com tochas pedindo a minha cabeça amanhã de manhã.
Mas que bobagem. A brincadeira há tempos transformou-se num jogo, sem que eu percebesse. Está na minha vez, mas eu não quero apostar tudo na sorte de um dado mal-virado. Da pra entender? Alguém me ensina a dormir?
Você já sentiu que o corpo no qual está confinado subitamente lhe parece estranho, inapropriado? Você já bateu a porta atrás de sí e percebeu que o lugar onde se sente mais livre é um quarto trancado?
Dei por mim desejando ser criança, nem que só por alguns segundos, pra ter certeza de quem realmente sou. Lembrar da sensação de segurança quando eu pus uma chave na fechadura e girei pela primeira vez, como se também fechasse os problemas lá fora. Me peguei desejando que meu choro fosse por não querer a salada do prato ou por ter ralado o joelho enquanto descia a ladeira correndo. Houve um tempo em que você também acreditou que bater a canela na quina de um degrau era a pior dor do mundo? Isso foi antes de eu descobrir que em certos momentos a única coisa que promete resolver tudo é o sono. Sabe, eu queria tanto dormir...
Mas não posso. Hoje a noite olhou pra mim através das persianas e decidiu que seria ela mesma uma criança. Decidiu me condenar a observar por horas e horas enquanto brinca com as sombras da parede e zomba da minha incapacidade de sorrir quando convém ao mundo.
Só respire. Respire até perder a conta, como quando não sabe mais quantos copos já virou. "Prontos ou não, lá vou eu". Tudo o que eu queria era dormir, sabendo que seja lá o que eu fiz de errado vai ser esquecido durante a madrugada e não haverão multidões com tochas pedindo a minha cabeça amanhã de manhã.
Mas que bobagem. A brincadeira há tempos transformou-se num jogo, sem que eu percebesse. Está na minha vez, mas eu não quero apostar tudo na sorte de um dado mal-virado. Da pra entender? Alguém me ensina a dormir?
Toscana
Podíamos ser nós dois naquela encardida escadaria de igreja, como tantos outros devem ter sido a 1500 anos atrás. Podíamos ter sido dois a sentar no píer e mordiscar a ponta dos pés no lago da cor dos seus olhos.
Podíamos ser nós segurando o balão no meio da praça, como mágico e ajudante, e deixando que voasse pelos ares, subindo cada vez mais rápido. Até se transformar em estrela incandescente no meio de tantas outras no céu da toscana.
Depois vê-lo apagar-se e despencar do alto, esquadrinhando o anil com os olhos aa procura de seu rastro. Correr de mãos dadas, como duas crianças, para chegar no seu lugar de descanso final. Uma euforia só, como se armação de papel fosse pote de ouro no fim do arco-íris.
Apenas meio conscientes de que o verdadeiro tesouro estaria bem entre nossos dedos.
Podíamos ser nós segurando o balão no meio da praça, como mágico e ajudante, e deixando que voasse pelos ares, subindo cada vez mais rápido. Até se transformar em estrela incandescente no meio de tantas outras no céu da toscana.
Depois vê-lo apagar-se e despencar do alto, esquadrinhando o anil com os olhos aa procura de seu rastro. Correr de mãos dadas, como duas crianças, para chegar no seu lugar de descanso final. Uma euforia só, como se armação de papel fosse pote de ouro no fim do arco-íris.
Apenas meio conscientes de que o verdadeiro tesouro estaria bem entre nossos dedos.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Detalhes
Dando nó em talo de cereja
Desviando o seu olhar
Já não sabe
Que isso não vai prestar?
Dando nó nos fios do meu cabelo
Brinca entre os seus dedos
Já não sei mais
Controlar os desejos
Tropeço pra não ver
Desisto de entender
No estilo auto-sabotagem
Confundo sim ou não
Não faço mais questão
Respirar é só detalhe
Me perco entre os becos da memória
Esqueço os assuntos de história
Veneno de rato
Começando com o pé esquerdo
Mendigando um tostão
E as migalhas
Da sua atenção
Descontando a raiva num vespeiro
Já não sinto mais a dor
A cereja
Já se estragou
Tropeço pra não ver
Desisto de entender
No estilo auto-sabotagem
Confundo sim ou não
Não faço mais questão
Respirar é só detalhe
E com vontade de fazer bobagem
Tento te passar uma mensagem
Veneno de cobra
Tropeço pra não ver
Desisto de entender
No estilo auto-sabotagem
Confundo sim ou não
Não faço mais questão
Respirar é só detalhe
E com vontade de fazer besteira
Toda brincadeira é meio verdadeira
Veneno é sarcasmo
Veneno é sarcasmo
Lapso
Pode-se dizer que eu quero tomar duas taças de vinho caro e espumante e observar campos de girassóis. Olhando mais a fundo, porém o que eu queria era detonar uma garrafa de vodka pra nem ter de me preocupar em como dormir. Numa terceira instância, já mais sincera, diria-se que eu quero sentar naqueles banquinhos de jardim e fumar uns cigarros.
Seria, ainda, tudo inútil, Porque na minha camada mais funda de carne, o que eu quero é você.
(De preferência com sorvete.)
Seria, ainda, tudo inútil, Porque na minha camada mais funda de carne, o que eu quero é você.
(De preferência com sorvete.)
V de Começo
Eu errei. A palavra que eu queria dizer em francês não era luxúria. Não é desejo, somente, não é a necessidade que passa com um orgasmo e alguns suspiros. É só que eu adoro tudo a seu respeito, mesmo os seus silêncios quando pensa em vôos rasantes e penas de pássaros. Sabe, eu podia ser uma quimera e voar ao seu lado. Pelo começo do pensamento que me trouxe aqui, eu amo o seu pai. Amo sua irmã e até os seus irmãos que não conheço. Amo seu tio e até sua mãe e seus avós. Adoro sua casa, sua guitarra e seu estalar de dedos. Não gosto dos seus amigos, mas amo-nos porque são seus. Gosto dos seus ossos e de todas as outras coisas que sempre comento e que você já sabe. A pele, a boca, os olhos, as mãos, o sinal, os cabelos, o olhar de criança que foi pega roubando um biscoito. Eu amaria estar nua com você, fazer sexo e amor a noite toda, até amanhecer, até não aguentar mais. Eu adoraria ser sua, toda sua, só sua, em qualquer lugar. Eu gostaria do meu jeito desengonçado se ele te fizesse me notar. Eu gostaria dos meus poemas se eles te tocassem. Eu adoraria meu cabelo, ombros e pernas se te dessem vontade de ME tocar. E sim, eu acho que me amaria se você me amasse. E te amaria ainda mais por me amar. Eu amaria minha boca se você a beijasse com a sua e amaria meu cheiro se ele se misturasse com o seu, numa confusão de hormônios e feromônios e suor. Eu provavelmente nem sei ainda o que é amor, mas acho que ninguém sabe direito.. Amo, amo, amo você e o homem velho do seu sobrenome. Vem comigo que eu te ensino o melhor jeito que eu conheço de voar. Não, não faz mal chamar isso aqui de amor, principalmente se eu disser em francês.
Roteiro
Meu nome é falta de sono
E como se isso não bastasse
Filosofias de vida
Se esvaem pelo ralo da pia
Eu vou ficando mais ácida
Dia após dia
Me deixe escorrer
Isso não foi um pedido
Eu levo você pro inferno comigo
O mundo dá voltas
É como um ponteiro
Você logo-logo decora o roteiro
Me deixe sonhar
Eu corro enquanto durmo
Fujo do meu pesadelo diurno
Eu bato de frente
Mentir é pros fracos
Só vou recolhendo e colhendo meus cacos
Meu nome é falta de tempo
E mesmo se ele me sobrasse
Eu tenho ansiedade
Vazio de vontade
Não conto tanto com a sorte
Meu bom humor é tempestade
Céu escuro de dia
Eu sou uma simpatia
Me deixe escorrer
Isso não foi um pedido
Eu levo você pro inferno comigo
O mundo dá voltas
É como um ponteiro
Você logo-logo decora o roteiro
Me deixe sonhar
Eu corro enquanto durmo
Fujo do meu pesadelo diurno
Eu bato de frente
Mentir é pros fracos
Só vou recolhendo e colhendo meus cacos
E como se isso não bastasse
A rotina me corrói
Meu deus, como dói
Filosofias de vida
Se esvaem pelo ralo da pia
Eu vou ficando mais ácida
Dia após dia
Me deixe escorrer
Isso não foi um pedido
Eu levo você pro inferno comigo
O mundo dá voltas
É como um ponteiro
Você logo-logo decora o roteiro
Me deixe sonhar
Eu corro enquanto durmo
Fujo do meu pesadelo diurno
Eu bato de frente
Mentir é pros fracos
Só vou recolhendo e colhendo meus cacos
Meu nome é falta de tempo
E mesmo se ele me sobrasse
Eu tenho ansiedade
Vazio de vontade
Não conto tanto com a sorte
Meu bom humor é tempestade
Céu escuro de dia
Eu sou uma simpatia
Me deixe escorrer
Isso não foi um pedido
Eu levo você pro inferno comigo
O mundo dá voltas
É como um ponteiro
Você logo-logo decora o roteiro
Me deixe sonhar
Eu corro enquanto durmo
Fujo do meu pesadelo diurno
Eu bato de frente
Mentir é pros fracos
Só vou recolhendo e colhendo meus cacos
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