Queremos domingão de sol
Cerva, pagode e futebol
Nadar no lixo do canal
Queremos pagar de otários
Bater palma pra ordinários
Cantar o Hino Nacional
Do reino das crianças desnutridas
Das patroas mal comidas
Dos pastores de mansão
O reino dos palhaços demagogos
Que abraçam o seu povo só em tempo de eleição
Queremos mais educação
Mas antes tem brasileirão
Viva a copa do mundo
Abram alas pra Mangueira
Nepotismo é brincadeira
E o buraco é bem mais fundo
Na terra do samba de avenida
Da mulata oferecida
Digam: Aleluia, irmão!
O reino dos palhaços demagogos
Que se esquecem do seu povo
Até o ano de eleição
Como as notas de uma melodia que no início não fazem sentido, mas depois começam a soar familiares.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Recaída/Voar
Estava lá, amarrada por questão de segurança e morrendo de medo de todas as coisas que podiam acontecer. Onde estava com a cabeça? Resisti ao impulso de desatar todas as fivelas e correr para longe do planador. Começamos a andar pela pista de aceleração, chacoalhando a cada lombada que se projetava da terra imperfeita.
Quando atingiu-se a velocidade de voo, fomos largados no ar e eu não pude conter um grito de terror. Era como se duas toneladas de ar pressionassem meu peito com 200km/h de força. Conduzimos a máquina, pulando de termal em termal e a cidade foi descendo aos poucos sob meus pés.
No momento em que minha adrenalina baixou e olhei pra fora foi que finalmente ficou claro o que acontecera: o mundo tinha ficado pra trás, perdido em algum lugar da superfície da Terra. À minha volta só se via o azul de um céu limpo e o melhor de tudo, o impagável: O silêncio. Não se escutava nada além do ar que batia constantemente por todo o meu corpo. Nada de motor, de buzinas, de anúncios publicitários...
Eu finalmente entendi como era se sentir um pássaro. Era o mais próximo que eu havia chegado do paraíso e queria ficar lá pra sempre. Não queria voltar pra sociedade barulhenta, com seus gritos e calombos. Queria voar.
Quando atingiu-se a velocidade de voo, fomos largados no ar e eu não pude conter um grito de terror. Era como se duas toneladas de ar pressionassem meu peito com 200km/h de força. Conduzimos a máquina, pulando de termal em termal e a cidade foi descendo aos poucos sob meus pés.
No momento em que minha adrenalina baixou e olhei pra fora foi que finalmente ficou claro o que acontecera: o mundo tinha ficado pra trás, perdido em algum lugar da superfície da Terra. À minha volta só se via o azul de um céu limpo e o melhor de tudo, o impagável: O silêncio. Não se escutava nada além do ar que batia constantemente por todo o meu corpo. Nada de motor, de buzinas, de anúncios publicitários...
Eu finalmente entendi como era se sentir um pássaro. Era o mais próximo que eu havia chegado do paraíso e queria ficar lá pra sempre. Não queria voltar pra sociedade barulhenta, com seus gritos e calombos. Queria voar.
sexta-feira, 18 de maio de 2012
F.C.D.R.
Corro em passos largos
Pra qualquer outro lugar
Minhas asas brancas
Se desmancham pelo chão
Já que tudo passa
E que o meu mundo virou pó
Já que a lua nunca
Vai caber na minha mão
Corro em pés descalços
Não espero me encontrar
Tudo é muito pouca coisa
Em comparação
Já que em meio a todo mundo
Eu sempre fico só
Sinto o ar da noite
Invadir o meu pulmão
Ela é como um corvo
E o seu canto me persegue
Pousa no meu ombro
E eu já não me sinto leve
Quero só fazer de conta
Por um tempo breve
Isso só já basta
Eu viro F.C.D.R.
As paredes caem
Pra deixar a chuva entrar
Quero acreditar
No que o mundo me promete
Já que eu sinto dor
E isso me torna mais real
Já que meu messias
Se matou aos vinte e sete
Ela é como um corvo
E o seu canto me persegue
E eu já não me sinto leve
Quero só fazer de conta
Por um tempo breve
Isso me convence
Eu viro F.C.D.R.
domingo, 13 de maio de 2012
Bom Motivo
Se olha no espelho
E não percebe que sumiu
Vai se equilibrando
Caminhando por um fio
Escute mais a letra
A melodia é tão feliz
Que acaba disfarçando
A muita coisa que se diz
Rode, rode, rode
Meu amor, esse é o seu samba
E cada passo em falso
É uma chance que se ganha
Pode se embolar
Que já chegou a sua hora
Você bebeu demais
E se esqueceu de ir embora
Não fale do futuro
Das escolhas, das besteiras
Que de cima do muro
Eu vejo muito mais estrelas
Balance seu chocalho
Se isso já virou mania
Não vá se esquecer
Que todo mundo morre um dia
Me dê um bom motivo
Que me faça acreditar
Não vou te dar meu copo
Pra você envenenar
Me dê um bom motivo
Vá, me faça acreditar
Não vou te dar meu copo
Pra você envenenar
Rode, rode, rode
Meu amor, esse é o seu samba
E cada passo em falso
É uma chance que se ganha
Pode se embolar
Que já chegou a sua hora
Você bebeu demais
E se esqueceu de ir embora
E não percebe que sumiu
Vai se equilibrando
Caminhando por um fio
Escute mais a letra
A melodia é tão feliz
Que acaba disfarçando
A muita coisa que se diz
Rode, rode, rode
Meu amor, esse é o seu samba
E cada passo em falso
É uma chance que se ganha
Pode se embolar
Que já chegou a sua hora
Você bebeu demais
E se esqueceu de ir embora
Não fale do futuro
Das escolhas, das besteiras
Que de cima do muro
Eu vejo muito mais estrelas
Balance seu chocalho
Se isso já virou mania
Não vá se esquecer
Que todo mundo morre um dia
Me dê um bom motivo
Que me faça acreditar
Não vou te dar meu copo
Pra você envenenar
Me dê um bom motivo
Vá, me faça acreditar
Não vou te dar meu copo
Pra você envenenar
Rode, rode, rode
Meu amor, esse é o seu samba
E cada passo em falso
É uma chance que se ganha
Pode se embolar
Que já chegou a sua hora
Você bebeu demais
E se esqueceu de ir embora
Around the Corner
Darling, I think I don't like you
But is there a problem if I have some fun
I don't care what I'll become
She wears a nice summer dress
She's drinking to lighten all the stress
My heart goes racing in my chest
And I'm like
La la la la la, will you dance with me?
We go round around the corner, I could me discreet
Baby, baby, dance with me
The world is far away, you see
Darling, it's a random party
But I've seen pretty boys around
Step by step they chase me down
She might kill me with that look
Asking me what could go wrong
It's getting harder to be strong
And I'm like
La la la la la, will you dance with me?
We go round around the corner, I could be discreet
Baby, baby, dance with me
The world is far away, you see
But is there a problem if I have some fun
I don't care what I'll become
She wears a nice summer dress
She's drinking to lighten all the stress
My heart goes racing in my chest
And I'm like
La la la la la, will you dance with me?
We go round around the corner, I could me discreet
Baby, baby, dance with me
The world is far away, you see
Darling, it's a random party
But I've seen pretty boys around
Step by step they chase me down
She might kill me with that look
Asking me what could go wrong
It's getting harder to be strong
And I'm like
La la la la la, will you dance with me?
We go round around the corner, I could be discreet
Baby, baby, dance with me
The world is far away, you see
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Inconscientemente Cherry
Bom, eu não queria dizer... Meio constrangedor, entende? Mas você sabe. No fundo do cérebro, na lembrança de um pesadelo esquisito da infância, você sabe muito bem. Ela existe lá dentro; talvez entre duas costelas ou, quem sabe, na ponta do dedo do meio.
É uma coisinha minúscula, gelada, que arranha a parede dos ossos com pequenas unhas de mármore branco. É um barulhinho, uma correntinha de ouro roçando no fundo da piscina. Simplesmente desesperador. Como aquela vozinha aguda de passarinho que só se escuta pelo canto das orelhas, a uns 87 graus, mais ou menos. Você lembra desse sonho. É certo, como o dia depois da noite, que o pio de canarinho engrossa e se torna uma voz grave e macia que vai te devorar e quebrar sua alma em duas.
A coisinha também vai partir seu espírito. Ela é como o sonho, mas continua lá, PRINCIPALMENTE quando você acorda. Ela vai descascando seus ossos e furando seus pulmões com as unhas postiças de mármore e vai derreter toda a gentileza com sua saliva ácida que cai, gota a gota, no pequeno jardim de jasmin que você trancou no armário da memória.
Ah, coisinha odiosa! Você também tem uma? Ela é do tamanho de uma aranhazinha; menos que uma viúva negra, mas tão letal quanto. Talvez mais. Tece sua teia pelas minhas vísceras, põe uma lente de aumento nas vizarrices dos meus pesadelos mais obscuros e torna meus melhores desejos realidade, só em sonhos, para que eu queira morrer toda vez que acordo.(Não nade de costas. Só não nade de costas!)
Ela mesma se odeia, a coisinha. Me grita por entorpecentes, mas não há nada que eu possa lhe dar que seja mais venenoso que seu póroprio néctar vermelho, sua calda de cereja. Oh, Cherry, Cherry... É como estou pensando em chamá-la, a minha pequena, minha criaturinha feita de sete pecados capitais e pó. Porque é ao pó que todos voltamos todas as noites.
Sonhe com flores, sonhe com borboletas. Boa noite, gatinho.
É uma coisinha minúscula, gelada, que arranha a parede dos ossos com pequenas unhas de mármore branco. É um barulhinho, uma correntinha de ouro roçando no fundo da piscina. Simplesmente desesperador. Como aquela vozinha aguda de passarinho que só se escuta pelo canto das orelhas, a uns 87 graus, mais ou menos. Você lembra desse sonho. É certo, como o dia depois da noite, que o pio de canarinho engrossa e se torna uma voz grave e macia que vai te devorar e quebrar sua alma em duas.
A coisinha também vai partir seu espírito. Ela é como o sonho, mas continua lá, PRINCIPALMENTE quando você acorda. Ela vai descascando seus ossos e furando seus pulmões com as unhas postiças de mármore e vai derreter toda a gentileza com sua saliva ácida que cai, gota a gota, no pequeno jardim de jasmin que você trancou no armário da memória.
Ah, coisinha odiosa! Você também tem uma? Ela é do tamanho de uma aranhazinha; menos que uma viúva negra, mas tão letal quanto. Talvez mais. Tece sua teia pelas minhas vísceras, põe uma lente de aumento nas vizarrices dos meus pesadelos mais obscuros e torna meus melhores desejos realidade, só em sonhos, para que eu queira morrer toda vez que acordo.(Não nade de costas. Só não nade de costas!)
Ela mesma se odeia, a coisinha. Me grita por entorpecentes, mas não há nada que eu possa lhe dar que seja mais venenoso que seu póroprio néctar vermelho, sua calda de cereja. Oh, Cherry, Cherry... É como estou pensando em chamá-la, a minha pequena, minha criaturinha feita de sete pecados capitais e pó. Porque é ao pó que todos voltamos todas as noites.
Sonhe com flores, sonhe com borboletas. Boa noite, gatinho.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Pela metade
Eu já nem sei
Se devia cantar
Sobre essas coisas todas
Soltas pelo ar
Se eu já tentei
O que tem pra fazer
Eu só queria me deitar
E derreter
É tão difícil ser de verdade
Se tudo em volta é só jogo de imagem
É tão difícil falar a verdade
Se todo mundo diz pela metade
Eu preferi
Só olhar de fora
Mas não cheguei a esquecer
Como se joga
Mostre as suas fichas, eu tenho um Az
Eu sei bem como se faz
Meu rei combina com o seu
Agora quem não quer sou eu
Eu já nem sei
Se devia cantar
Sobre essas coisas todas
Soltas pelo ar
Eu vou contar
Meus distúrbios mentais
Desenterrar o que eu já quis
Deixar pra trás
É tão difícil ser de verdade
Se tudo em volta é só jogo de imagem
É tão difícil falar a verdade
Se todo mundo diz pela metade
Nem vou dizer
O que eu sei de você
Pra não deixar o meu
Veneno escorrer
Mostre as suas fichas, eu tenho um Az
Eu sei bem como se faz
Meu rei combina com o seu
Agora quem não quer sou eu
Já se acabou a paciência
Você insulta a minha inteligência
Se devia cantar
Sobre essas coisas todas
Soltas pelo ar
Se eu já tentei
O que tem pra fazer
Eu só queria me deitar
E derreter
É tão difícil ser de verdade
Se tudo em volta é só jogo de imagem
É tão difícil falar a verdade
Se todo mundo diz pela metade
Eu preferi
Só olhar de fora
Mas não cheguei a esquecer
Como se joga
Mostre as suas fichas, eu tenho um Az
Eu sei bem como se faz
Meu rei combina com o seu
Agora quem não quer sou eu
Eu já nem sei
Se devia cantar
Sobre essas coisas todas
Soltas pelo ar
Eu vou contar
Meus distúrbios mentais
Desenterrar o que eu já quis
Deixar pra trás
É tão difícil ser de verdade
Se tudo em volta é só jogo de imagem
É tão difícil falar a verdade
Se todo mundo diz pela metade
Nem vou dizer
O que eu sei de você
Pra não deixar o meu
Veneno escorrer
Mostre as suas fichas, eu tenho um Az
Eu sei bem como se faz
Meu rei combina com o seu
Agora quem não quer sou eu
Já se acabou a paciência
Você insulta a minha inteligência
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